História de sucesso!

Uma Maratona - Da Ponta de Sagres ao Pontal do Recreio Como uma tartaruga conseguiu uma medalha de 42 km.

Há mais ou menos um ano atrás, quando visitava a ponta final da Santa Terrinha, lá onde o continente encontra o Atlântico, emocionada que fiquei com aquela imensidão azul e aquele lugar mágico, chamado de "Fim da Terra" pelo povo dos tamancos, tomei algumas resoluções de vida. Entre elas, a de fazer uma Maratona, desejo antigo e sempre adiado. Quando retornei, sabia duas coisas: precisava preparar o corpo, mas, ainda mais, a mente para chegar ao objetivo final e precisava, também, conversar com minhas meninas para que concordassem com abrir mão, por meses, de várias coisas em nossos fins de semana por causa dos treinos. Elas logo se engajaram no projeto e começaram a incentivar. Primeiro passo dado. Faltava só a minha parte. No começo deste ano, com a assessoria do Andre, o suporte do Pilates e da acupuntura, demorei ainda uns meses para engrenar. Peguei no tranco mesmo, motivada pelas palavras gentis e acalentadoras do Luciano, do Dino e do Presidente que, sempre em tom baixo e amável, diziam: "Larga o cafezinho e vem pra pista!" "Já vai embora? Mas só correu 5 voltas!" "Essa pista é pra corredor, não é pra pangaré!" "Quando é que a gente vai começar a correr?" "Isso são horas de chegar pra treinar?" e outras frases de amparo emocional, como sabem... Com o fantasma do calor excessivo pairando sobre nós, começamos nossos longões. No primeiro deles, Claudinha, Cida, Rafael, Presidente, Antonio e eu saímos do Belini em direção à Niemeyer. Fui nocauteada pelo em calor de quase 38º em Botafogo. Gentilmente, Rafael interrompeu o treino dele e me acompanhou até o Leme onde André havia montado a tenda da Assessoria. Primeiro fracasso. Vim pra casa cheia de dúvidas. Achei que não conseguiria, que aquilo não era pra mim. Mas, como sempre, uma parte muito teimosa lá dentro não deixou que me abatesse totalmente e começou a ver onde havia errado. Ao chegar em casa, já tinha decidido continuar e rever estratégias para recomeçar. Conversei com Claudinha, que bondosamente dividiu comigo suas experiências e conclusões da Maratona anterior. Infelizmente, Rafael, por motivos que a vida no seu curso inabalável nos obriga a enfrentar, acabou tendo que deixar os treinos. Logo depois, Cida lesionou o joelho, Presidente adoeceu e Antonio viajou para rever sua família. Não sabíamos ainda que Luciano também se lesionaria. Ficamos nós duas, Claudinha e eu, e uma planilha. Vários sábados e a quilometragem crescendo passo a passo, melhor, volta a volta do Maracanã. Senti uma felicidade , enorme quando cheguei a 26km, nas nuvens quando completei 30km e chorei literalmente quando alcancei 36 km. Estava muito quente, então, internamente me tranquilizei: a menos que alguma coisa muito grave acontecesse, eu poderia fazer mais 6 km e 195 metros. Senti dor durante os treinos, portanto, essa parte meu cérebro teria que vencer. O cansaço era extremo e essa parte a alimentação, os treinos e a mente, mais uma vez, teriam que dar conta. Cheguei no dia 29 de maio, ainda escuro, ao Belini para encontrar todos os corredores da Meia e da Maratona. Surpresa emebezística: Rafael decide naquela hora nos acompanhar na Maratona.

Combinou que iria até onde conseguisse correr pois não havia treinado suficiente. Decidido a fazer no lugar da Meia, a Inteira, conseguiu lugar em uma das vans. Na nossa, Claudinha concentrada e calma no banco ao lado de Antonio, Presidente, tranquilão na primeira fila e na janela, Lauro, Angélica e Juliana, animados no banco do fundo, clicando tudo para o registro Pirata. Eu, no meio da van, ouvindo Alt-J, dica de Maria Clara que me acompanhou todos os treinos, junto com a viseira da Rio Antigo, é claro. Não sou supersticiosa nem nada, mas vai que tudo dependesse dessas duas peças-chave? Vai que, né? Tava tudo dando certo, pra que mexer? A arena do Pontal é muito bacana! Aquele clima tão energizado dos corredores! Aquele ar marinho perfumado pela cânfora e mentol dos Gelol e Vick Vaporub... Ah, tá bem! O cheiro do Vick não é nada de bom , mas o resto é legal... Nos perdemos do Presidente, do Dino, Denison e Antonio, mas encontramos a alegria acolhedora da Lurdinha, do Domingos, do Cicero (com fornecimento de rapadura), do Sergio e então tiramos mais fotos. Nos preparando mentalmente, alongamos todos juntos pra partir cada um no seu ritmo Finalmente, começou: saimos Claudinha, Rafael e eu. Na volta pelas ruas de dentro, avistamos Niltão, Presidente e Antonio. Chegamos à praia. Olhava o horizonte pensando no ano anterior, do outro lado, o mesmo oceano, mar azul. Agradeci a Deus a oportunidade de estar ali. Agradeci por ter juntado essas duas pontas do fio da vontade! No caminho, um grupo de meninas mescla de Paraguaias, Uruguaias e Argentinas ruidosamente comemoravam estar na corrida, um senhor e seu sobrinho que o incentivava, revezavam entre corrida e caminhada, uma corredora estilosa andava em ritmo acelerado e um outro corredor senior que parecia encarar com toda a sabedoria o trote que o levaria ao Aterro. E nós, concentrados e unidos, íamos trocando aquele tipo de incentivo que sempre temos: uma brincadeira, um sorriso, uma pergunta sobre o outro ou o silêncio reconfortante da camaradagem. Na subida do Viaduto do Joá, paramos um pouco. O calor era enorme. Andamos um pouco mais. Em São Conrado, Rafael avisou que iria sair da corrida. Meu quadril deu sinal de que estava colado às pernas e que iria me avisar isso dali pra frente. Já na Niemeyer, éramos Claudinha e eu novamente como nos treinos. O senhor incentivado pelo sobrinho, ora caminhava, ora corria, nos ultrapassou com uma Coca-cola na mão. Na descida do Vidigal, miseravelmente, perdi o contato com o Alt-J: meu MP3 silenciou. Olhei desolada - caramba, um dos meus patuás falhou! Sem a cadência dos dois ingleses como iria seguir? Mais uma vez, Claudinha me socorreu: "Concentra nas pessoas e coisas próximas e a frente". A partir do Vidigal e todo o Leblon, a cada 10 quilômetros eu dava a mão minha amiga. Internamente, visualizava aquele adesivo de carro que dizia "Até aqui, o Senhor me ajudou". Flashes de treinos, de conversas com amigos, de leituras que fiz sobre Maratona, tudo passa pela mente. Em Copacabana, achei que o senhor quadril iria me impedir de continuar, mas as pessoas que ofereciam paçocas, sal, palavras de incentivo não me deixaram parar. Tomei o terceiro saquinho de gel. Lembrei da passagem pelo Túnel do Joá com a música clássica e como isso nunca mais será esquecido e continuei. Não vi mais o senhor corredor, mas o sobrinho passou por nós como uma bala, e a corredora que andava, agora corria num trote sustentável, o corredor sênior mantinha o ritmo - estávamos em frente à Sede do Glorioso da Claudinha. Encontramos Dino andando: tinha iniciado a prova com um joelho bichado, segundo ele, e lesionado o outro. Claro que não seria o Dino se não estivesse já na boca de completar mais uma Maratona, esse guerreiro MB. Logo a frente, Fabio, o bombeiro corredor, acompanhava uma corredora que havia se lesionado. Chegando a grande curva do Morro da Viúva, pensei que estava quase terminado. A mente comandava agora. Nenhuma chance de diminuir o passo ou caminhar, caso contrário " todo o treino, toda a preparação vai ficar perdida e eu vou ter que começar tudo de novo porque eu vou fazer uma Maratona custe o que custar, então é melhor que seja hoje mesmo, Carmen Valeria! Não pára mesmo!" Com esse mantra, fui me levando até além. De repente, a linha de chegada à frente, preparando para dar a mão à Claudinha, ouço vozes queridas que gritavam nossos nomes, no meio delas duas gritavam "Mãe". Bethinha, Rosane e Nil, Macaia e Maju. Cruzamos a linha todas juntas e de mãos dadas. Depois vieram Fabio, meu irmão querido e minha cunhada Tatiane. Num flash em sequência, o abraço de Ronaldo que nos esperava na chegada, outro abraço apertado de Candinho, o carinho de André na tenda da Assessoria, a massagista fazendo milagres nas pernas petrificadas, Yara e Rafael com seu afeto acolhedor, Ailton e Lauro. Toda a energia revigorante fizeram esquecer os contratempos.

Agradeço, a Deus por permitir que uma tartaruga fizesse uma Maratona. Aos meus quatro exemplos que já se foram: avô Belmiro, avó Maria, mãe Conceição e pai Antonio, onde busco lembranças de força de vontade, paciência, teimosia e humor para completar aquilo a que me proponho. Às minhas filhas Macaia e Maju, que toleraram o cansaço, o mau gênio e as queixas,que me incentivaram desde o começo e que, mesmo sem gostar, correram aqueles metros finais comigo até a linha de chegada. A todos meus amigos MBs que, mantendo essa corrente sempre firme, nunca me deixam esquecer meus compromissos corridísticos, perdoam meu erros de humor e, acima de tudo, não me deixam sozinha nem nas perdas nem nas conquistas. Às minhas irmãs Beth, Rosane e Nil que além de perdoarem as faltas ao sagrado chopp de sexta-feira, estiveram na chegada para cruzar aquela linha comigo. À minha irmã, companheira de corrida e verdadeira instrutora nessa Maratona, Claudinha, que acreditou em mim até quando eu duvidava, generosamente diminuindo seu pace nos treinos e na corrida, percorrendo todo o trajeto com esta tartaruga que agora tem uma medalha de 42km.

Assinado,

Carmen Valeria - tartaruga maratonista do Maracanã.


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